Assembléia da AP-LER (Associação dos Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos) realizada no dia 25/08/2011, na cidade de Toledo, elegeu nova Diretoria para o biênio 2011-2012.
A chapa eleita por aclamação ficou assim definida: Presidente: Laerson Vidal Matias; Vice-Presidente: Anderson Francisco; Tesoureira: Ingrid Beatriz Gehn; I° Secretária: Lucia Brentano Vogt e 2° Secretário: Ivo Roque Ostroski.
http://www.jornaldooeste.com.br/cidade/noticias/8795/
Foi também amplamente debatido a necessidade de promover algumas revisões de casos de doenças do trabalho e que estão com a espécie de beneficio previdenciário no INSS, APS de Toledo. Já fizemos uma reunião com a Gerencia local e acordamos encaminhar os casos existentes para apreciação.
Neste sentido a AP-LER fará um requerimento solicitando a alteração da espécie B-31 para B-91 acidentário, anexando a lista de todos os associados que estão nesta condição. Esta medida é urgente, pois existem alguns casos de demissão de trabalhadores ainda em tratamento, que com o retorno ao trabalho e sem estabilidade gerada pelo beneficio acidentário que é de 12 meses após a alta médica pericial.
Nesta oportunidade foi também feito a indicação de Laerson Vidal Matias e Ingrid Beatriz Gehn, para compor o Conselho Municipal de Saúde de Cascavel 2012/2013.
AP-LER (Associação dos Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos), fundada em 1997 tem como objetivos organizar a luta coletiva pelos direitos dos trabalhadores lesionados e intervir na realidade para diminuir os casos de adoecimento em função da organização do trabalho. Os trabalhadores lesionados, inicialmente os bancários e telefonistas eram os mais atingidos pelas LER. Atualmente priorizamos a organização dos trabalhadores vitimados pelo processo de trabalho nos frigoríficos.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
SADIA demite ilegalmente operário em tratamento de saúde
ADÃO DE CRISTO foi demitido ilegalmente, pela SADIA S/A de Toledo no dia 15/04/2011, apesar de estar em tratamento de saúde e incapacitado para o trabalho, conforme atestam os laudos médicos e a pericia no INSS.
Durante o período em que laborou na referida empresa, esteve em tratamento médico, medicamentoso e fisioterápico continuamente desde 14/08/2007 quando foi submetido a uma cirurgia no joelho esquerdo.
Sofreu nova cirurgia, desta vez para reconstrução óssea no cotovelo esquerdo, em 29/03/2011, após 3 anos de uma lesão causada por Acidente de Trabalho no qual se feriu ao bater, o joelho contra uma porta de metal no interior da referida empresa.
Em 13/08/2011, submeteu-se a nova cirurgia no joelho esquerdo.
Após a alta medico - pericial do INSS, houve a concessão das férias vencidas e imediatamente após o retorno ao trabalho, foi demitido sumariamente pela empresa.
Cabe aqui a consideração de que esta demissão só foi possível por que o INSS não concedeu o Auxilio Acidentário que gera a estabilidade no emprego de 12 meses após o termino do tratamento médico.
A AP-LER já esta tratando de rever esta situação perante o INSS de Toledo, pois flagrantemente neste caso, há o desrespeito ao marco legal que estabeleceu o Nexo Técnico Previdenciário NTEP com a negação do referido beneficio.
Não é nenhuma novidade as demissões ilegais promovidas pela referida empresa na cidade de Toledo, mas o Poder Judiciário irá novamente anular mais esta demissão.
Chama atenção o fato de a SADIA ser ré em uma Ação Civil Pública, movida pelo MPT e AP-LER, e continuar com estas práticas que atentam contra a dignidade humana das pessoas que vivem do trabalho.
Acidente de Trabalho tira vida de operário na COOPAVEL
SIMÃO CAVALHEIRO DE LIMA, 18 anos, foi admitido para trabalhar na fabrica de rações da COOPAVEL situada as margens da BR 277 na cidade de Cascavel PR, no dia 10 de maio de 2011, na função de Auxiliar da Indústria de Rações I.
No dia 18 de junho de 2011, por volta de 18h30min sofreu um acidente de trabalho, que lhe ceifou a vida.
Segundo a CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho, emitido pela empresa, o acidente ocorreu no momento em que o operário tentava "desobstruir a abertura da fita, e foi atingido por bloco de farelo de soja".
A Certidão de Óbito identifica como causa da morte "asfixia por afogamento, afogamento em farelo de soja".
O Laudo emitido pelo Instituto de Criminalística relata que "a morte deve ter ocorrido por volta das 18h30min e que só se notou a falta da vitima após o horário de intervalo do jantar (geralmente das 18n20min às 19h20min)".
Segundo alguns relatos feitos por colegas de trabalho aos familiares, “Simão não trabalhava regularmente neste setor da fabrica” e “foi mandado para lá para substituir um colega, por ocasião da proximidade no horário do jantar”.
O Acidente de Trabalho ocorreu neste intervalo, portanto quando não havia ninguém para socorrer a vitima de seu infortúnio.
Ademais, desempenhar tarefa para qual não se, tenha treinamento adequado, na ausência dos demais trabalhadores do setor, neste caso, parece ter determinado em grande medida o triste fato.
Através do ofício n° 009/11 da AP-LER encaminhamos alguns documentos e depoimentos a Promotoria do Trabalho que já instaurou processo investigatório para apurar as causas do referido acidente fatal.
Esperamos que a identificação das causas desta tragédia sirva ao menos para que estas empresas tomem as medidas necessárias para impedir estes acidentes que tantos males trazem a classe de todas as pessoas que vivem do trabalho.
"Não quero que o Primeiro Emprego de meu filho, seja o último"
O drama vivido pela Sra. Leonir Maria Remonti Chaves, expressado em epígrafe, não deve ser ignorado por todos nós que defendemos a dignidade das pessoas que vivem do trabalho.
AUGUSTO CHAVES DA SILVA, seu filho de 18 anos de idade, arrumou seu primeiro emprego no Frigorífico da COOPAVEL em 10/02/2011.
Um mês depois já apresentava os primeiros sintomas, que aparentemente foram ignorados pela empresa. Foi demitido ilegalmente, pois está doente, em maio último. Neste ambiente de trabalho veio a desenvolver uma patologia vascular, desencadeada pela temperatura muito baixa do ambiente, que o mantém hoje acamado em casa, com os pés necrosados (foto) e a espera de uma vaga do SUS para realizar uma cirurgia de amputação nos membros inferiores.
Em 03 de julho esta situação, veio ao conhecimento da AP-LER e inicialmente oficiamos a PRT, conforme oficio postado em 05/07/2011, com objetivo de impedir esta conduta a nosso ver ilegal e desumana da referida empresa.
Ato contínuo buscamos a Secretaria de Saúde de Cascavel e lá fomos atendidos pelo Secretario Ildemar Canto. Prontamente foi disponibilizado os medicamentos para o tratamento, uma vez que a família não tem renda e a medicação custa em torno de R$ 300,00 por mês. Além disso, o Secretario preencheu o Padrão de Quesitos, para a solicitação de Auxílio-Doença junto ao INSS.
A AP-LER emitiu a CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho no dia 11/07/2011 e a perícia foi antecipada para dia quinta-feira (14/07) às 14:00 horas, dada a gravidade da situação.
Amigos e familiares solidários a este drama estão dando todo apoio necessário o que ameniza o sofrimento desta família.
Além disso, estamos acompanhando e aguardando pra esta semana a abertura do leito para a internação e realização do procedimento cirúrgico no HUOP, pois o sofrimento físico causado por esta situação é agravado muito pela demora, espera e incerteza quanto ao sucesso do tratamento da doença.
O trabalho não deve ser fonte de sofrimento, mas meio de satisfação e realização profissional. Augusto Chaves da Silva é mais uma vitima deste processo que consome vida e saúde de seres humanos para multiplicar os lucros e a ganância empresarial.
AUGUSTO CHAVES DA SILVA, seu filho de 18 anos de idade, arrumou seu primeiro emprego no Frigorífico da COOPAVEL em 10/02/2011.
Um mês depois já apresentava os primeiros sintomas, que aparentemente foram ignorados pela empresa. Foi demitido ilegalmente, pois está doente, em maio último. Neste ambiente de trabalho veio a desenvolver uma patologia vascular, desencadeada pela temperatura muito baixa do ambiente, que o mantém hoje acamado em casa, com os pés necrosados (foto) e a espera de uma vaga do SUS para realizar uma cirurgia de amputação nos membros inferiores.
Em 03 de julho esta situação, veio ao conhecimento da AP-LER e inicialmente oficiamos a PRT, conforme oficio postado em 05/07/2011, com objetivo de impedir esta conduta a nosso ver ilegal e desumana da referida empresa.
Ato contínuo buscamos a Secretaria de Saúde de Cascavel e lá fomos atendidos pelo Secretario Ildemar Canto. Prontamente foi disponibilizado os medicamentos para o tratamento, uma vez que a família não tem renda e a medicação custa em torno de R$ 300,00 por mês. Além disso, o Secretario preencheu o Padrão de Quesitos, para a solicitação de Auxílio-Doença junto ao INSS.
A AP-LER emitiu a CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho no dia 11/07/2011 e a perícia foi antecipada para dia quinta-feira (14/07) às 14:00 horas, dada a gravidade da situação.
Amigos e familiares solidários a este drama estão dando todo apoio necessário o que ameniza o sofrimento desta família.
Além disso, estamos acompanhando e aguardando pra esta semana a abertura do leito para a internação e realização do procedimento cirúrgico no HUOP, pois o sofrimento físico causado por esta situação é agravado muito pela demora, espera e incerteza quanto ao sucesso do tratamento da doença.
O trabalho não deve ser fonte de sofrimento, mas meio de satisfação e realização profissional. Augusto Chaves da Silva é mais uma vitima deste processo que consome vida e saúde de seres humanos para multiplicar os lucros e a ganância empresarial.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Frigoríficos. ''O medo mantem os trabalhadores na produção''. Entrevista especial com Leandro Inácio Walter
“O trabalho, no frigorífico, torna-se algo instrumental e o sujeito é descartado assim que perde a produtividade”, denúncia Leandro Inácio Walter, psicólogo social, após realizar uma pesquisa com trabalhadores “afastados” de um frigorífico do Rio Grande do Sul. Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele conta que doenças do trabalho são comuns no processo de produção dos frigoríficos brasileiros, pois as atividades desenvolvidas pelos funcionários são repetitivas. “A organização do trabalho geralmente ocorre em linhas de montagem, em linhas de produção, especialmente nas nórias, onde os frangos são pendurados e o ritmo de trabalho é imposto aos funcionários. As máquinas trabalham e o trabalhador tem que acompanhar o ritmo imposto pela empresa”.
De acordo com Walter, os funcionários relatam que, quando as metas de trabalho não eram atingidas, “uma sirene era acionada, avisando que tinha algo errado”. Em função disso, menciona, os trabalhadores ficaram com sequelas psíquicas e tiveram reações de pânico. “Muitos ficavam agitados só de ouvir qualquer barulho que se assemelhasse a uma sirene, mesmo fora do ambiente de trabalho. Qualquer barulho semelhante trazia essa lembrança do horror das situações que eram vivenciadas no local”, relata.
Leandro Inácio Walter é graduado em Psicologia pela Unisinos e mestre em Psicologia Social pela Universidade do Rio Grande do Sul - UFRGS, com a dissertação intitulada A saúde por um fio: um estudo em psicodinâmica do trabalho de afastados de frigorífico de aves.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que constatou após a realização de estudo sobre a saúde dos trabalhadores de frigoríficos avícolas do Rio Grande do Sul?
Leandro Inácio Walter – Estudei a realidade de um frigorífico gaúcho a partir dos relatos de trabalhadores que estavam afastados do trabalho e estavam sendo atendidos no sindicato da categoria. Constatei uma realidade de intensa agressão à saúde deles, o descumprimento da legislação de saúde e de segurança, e a medicalização dos sintomas para repor o trabalhador mais rapidamente possível no posto de trabalho.
O trabalho, no frigorífico, torna-se algo instrumental e o sujeito é descartado assim que perde a produtividade. Gostaria de ter tido acesso à empresa e, por algumas vezes, tentei contato com a equipe administrativa, mas o frigorífico não abriu as portas para que pudesse acompanhar o processo de trabalho e averiguar porque as pessoas estavam adoecendo. Portanto, a pesquisa teve essa limitação.
IHU On-Line – Como o sindicato se manifesta diante dos casos de enfermidade dos trabalhadores e das doenças geradas pelo trabalho?
Leandro Inácio Walter – Esse sindicato criou um serviço de saúde para atender aos trabalhadores, pois há muita dificuldade para reconhecer as doenças psíquicas no serviço de saúde pública, e no próprio plano de saúde oferecido pela empresa. Para se ter uma ideia, as comunicações de acidente do trabalho emitidas pelo sindicado e pelos médicos do plano de saúde não são reconhecidas pela empresa, sob a alegação de que esses profissionais não conhecem a realidade de trabalho da empresa.
IHU On-Line – As empresas ignoram os casos de doença entre os trabalhadores?
Leandro Inácio Walter – Sim. Inclusive porque, atualmente, nós estamos falando de um setor que tem representatividade no cenário político. Hoje, o Brasil é um dos grandes produtores e exportadores de carne de aves.
Os custos sociais que envolvem essa produção não estão sendo computados pela Previdência. Um levantamento realizado pelo sindicado dos trabalhadores das empresas do estado de Santa Catarina demonstrou que a Sadia contribuiu com 30 milhões ao INSS, no período de 2003 a 2007, e que, em contrapartida, o INSS desembolsou 170 milhões em benefício previdenciário, seja como afastamento do trabalho, aposentadoria por invalidez, etc.
Hoje, os serviços de saúde que atendem aos trabalhadores adoecidos não mudam a realidade de trabalho dentro das empresas. São medidas paliativas, pois as condições de trabalho continuam as mesmas. Os trabalhadores tomam antidepressivos, mas a pressão no trabalho não se altera. A atuação sindical tem esse viés de apenas tratar os sintomas e não a causa, embora estejam tentando dar maior visibilidade aos casos de doença do trabalho.
IHU On-Line – O que caracteriza o trabalho em um frigorífico avícola? Como se dá a organização do trabalho nesse ambiente? O que os trabalhadores revelam sobre as condições de trabalho e como o processo produtivo prejudica a saúde deles?
Leandro Inácio Walter – Apesar da diversidade de setores, as atividades são repetitivas. A organização do trabalho geralmente ocorre em linhas de montagem, em linhas de produção, especialmente nas nórias, onde os frangos são pendurados e o ritmo de trabalho é imposto aos funcionários. As máquinas trabalham e o trabalhador tem que acompanhar o ritmo imposto pela empresa.
Os trabalhadores contavam que, quando não era possível dar conta do ritmo de trabalho em função do cansaço, acumulavam trabalho no final da linha de montagem, onde havia um trabalhador mais ágil, que conseguia ter um desempenho superior. No entanto, esse sujeito que trabalhava na ponta era o que tinha maior possibilidade de se lesionar em função de extrapolar os limites físicos.
Para realizar um trabalho repetitivo, a pessoa não pode pensar em outras coisas porque, se ela se distrair, pode ocasionar alguma falha no processo produtivo. Através da psicodinâmica do trabalho, tentamos entender como ocorre a mobilização da subjetividade em diferentes contextos de trabalho. No caso dos frigoríficos, essa questão repercute de uma forma bastante interessante, porque os trabalhadores acabam usando estratégias de defesa como a racionalização expressa em pensamentos: “Essa situação vai passar”; “Deus está vendo o que estou fazendo aqui”; “Somente hoje vou fazer isso”.
Quando as metas de trabalho não eram atingidas, uma sirene era acionada, avisando que tinha algo errado. Nesses casos, muitos trabalhadores chegavam a ter reações de pânico, de intensa ansiedade e ficavam agitados só de ouvir qualquer barulho que se assemelhasse a uma sirene, mesmo fora do ambiente de trabalho. Qualquer barulho semelhante trazia essa lembrança do horror das situações que eram vivenciadas no local.
Ao cobrar metas, as chefias tratam os funcionários de maneira ofensiva para instaurar o medo no ambiente de trabalho. Eles, por sua vez, muitas vezes não conseguem atender às suas necessidades básicas como ir ao banheiro, tomar água, ir ao atendimento médico da empresa. O medo tem um papel muito forte para manter os trabalhadores na produção.
IHU On-Line – Em sua pesquisa, você menciona a relação entre prazer e sofrimento no processo produtivo dos trabalhadores. Como esses dois aspectos se manifestam e se relacionam no cotidiano dos trabalhadores?
Leandro Inácio Walter – Na psicodinâmica do trabalho, estudamos estados pré-patológicos ou não patológicos no trabalho. Assim, a psicodinâmica do trabalho tenta compreender como o trabalho pode contribuir para a realização pessoal, para a saúde do indivíduo, e como esse sujeito se mobiliza no trabalho, como ele pode obter reconhecimento.
Entre os relatos, os trabalhadores mencionam que o trabalho é importante porque através dele conseguem garantir o sustento e atender às necessidades básicas de suas famílas. Por outro lado, muitos sentem orgulho e prazer de participar de um processo produtivo. Os trabalhadores de frigoríficos avícolas costumavam relatar que, embora fossem bastante produtivos, nem todos eram vistos e reconhecidos pelo desempenho que conseguiam ter. Portanto, essa é uma dinâmica de reconhecimento bastante perversa, porque aquele que trabalhava corretamente, que atingia as metas, permanecia no mesmo posto de trabalho, enquanto aquele que tinha mais dificuldade às vezes acabava utilizando isso para obter alguma vantagem.
IHU On-Line – É possível estabelecer um diagnóstico da saúde mental dos trabalhadores de frigoríficos avícolas?
Leandro Inácio Walter – Sim, é possível. Realizei nove encontros com os trabalhadores, com duração de uma hora e meia cada um. As pessoas contavam que não se sentiam reconhecidas em seus trabalhos, que as relações de trabalho eram truncadas, que havia agressão verbal, coação física, etc. Quando o clima do trabalho é ruim, há uma degradação da saúde mental dos indivíduos.
Como um indivíduo vai trabalhar em um ambiente de trabalho em que não possui seus direitos básicos respeitados? Ouvi relatos de pessoas que não conseguiam ir ao banheiro e acabavam trabalhando urinadas e defecadas. Nós estamos falando da situação de trabalho de um local que produz alimentos.
Perguntei para os trabalhadores entrevistados se eles comiam frango, e a maioria disse que não. Isso tem a ver com a qualidade do produto que é produzido, com o clima de trabalho que existe dentro da empresa.
Muitos desses sintomas psíquicos se desenvolveram depois de algum tempo em que trabalhavam em frigorífico. Muitas, ao não reconhecerem sua própria realidade de sofrimento, poderiam vir a somatizar o
sofrimento ao adquirir uma LER/DORT, ao estrapolar os límites físicos. Então é possível estabbelecer um diagnóstico na medida que o adoecimento se desenvolveu por características do trabalho que a pessoa desempenhava.
sofrimento ao adquirir uma LER/DORT, ao estrapolar os límites físicos. Então é possível estabbelecer um diagnóstico na medida que o adoecimento se desenvolveu por características do trabalho que a pessoa desempenhava.
IHU On-Line – Quais são os principais sintomas de doença do trabalho apresentado pelos trabalhadores de frigoríficos?
Leandro Inácio Walter – São geralmente problemas mentais: as pessoas evitam contato social, ficam deprimidas, algumas tentam cometer suicídio, outras apresentam quadros de sofrimento grave. Para se ter uma ideia, muitos dos trabalhadores que participaram da pesquisa vinham acompanhados de familiares, pois tinham medo de se perder na cidade. Eles relatavam que se esquecem das coisas, que chegavam ao mercado e não lembram o que iriam comprar, por exemplo.
IHU On-Line – Que mudanças são necessárias para se reverter o quadro de doenças do trabalho nos frigoríficos brasileiros?
Leandro Inácio Walter – Hoje, está em discussão a implantação da Instrução Normativa n. 47, uma norma regulamentadora que visa instituir pausas obrigatórias durante a jornada de trabalho. Acredito que esta é uma boa alternativa. No entanto, sabemos da dificuldade em relação à fiscalização das empresas pelos órgãos competentes. Certa vez, quando um trabalhador faleceu no setor de carga e descarga da empresa ao ficar preso nos elevadores que conduzem as caixas nas quais os frangos são depositados, o fiscal do trabalho só conseguiu entrar na empresa no dia seguinte com a presença da Polícia Federal. Então os órgãos de fiscalização também encontram dificuldades de fazer o seu trabalho.
IHU On-Line – Por que, em sua opinião, os sintomas psicológicos geralmente são ignorados na avaliação de saúde do trabalhador?
Leandro Inácio Walter – Porque ainda existe muito preconceito com relação às doenças mentais e às doenças ocupacionais do trabalho. Elas têm uma característica de invisibilidade: não se consegue fazer uma ressonância para mostrar que o sujeito entra em depressão por causa do trabalho. Os profissionais do INSS, que fazem a perícia, às vezes não estão preparados para trabalhar com esta demanda e com a saúde psíquica. Por outro lado, existe certo preconceito; eles dizem com frequência que o trabalhador está simulando sintomas, tentando obter ganhos para não trabalhar, etc. O próprio termo “estar encostado” remete à ideia de que o sujeito não está disposto a trabalhar, e isso gera constrangimento e sofrimento ao trabalhador.
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